domingo - 16/05/2021
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Santa Rita, um bairro esquecido há 40 anos

Embora leve o nome da padroeira (Santa Rita de Cássia) e referência ao primeiro nome da cidade (Santa Rita do Paranaíba), o Bairro Santa Rita é um dos setores mais esquecidos pela administração municipal, sem receber benefícios ou obras por parte da Prefeitura. Localizado na região norte, abrigando mais de 50 empresas de pequeno e médio porte, como transportadoras, oficinas, distribuidoras de peças, de produtos de limpeza, motéis, restaurantes, espaço para eventos, postos de gasolina, revendas e concessionárias, entre outros segmentos comerciais e até uma indústria de ração animal, o Bairro Santa Rita têm significativa contribuição na arrecadação de ISS para o município, por abrigar empresas que atuam na prestação de serviços, além de ICMS pela produção e comercialização de produtos, IPVA pela grande quantidade de caminhões e veículos das transportadoras, IPTU, e a geração de centenas de empregos, ou seja, é um dos bairros que mais empregam e mais pagam tributos para o poder público.
Apesar de todas essas referências positivas, seja no aspecto histórico e econômico, o Santa Rita é o bairro que mais sofre com infraestrutura e prestação de serviços. É o único bairro que não conta com rede de esgoto e asfalto em sua totalidade, não há escola ou posto de saúde, a iluminação pública é deficiente, assim como a limpeza pública e roçagem de terrenos baldios.
Foi o último bairro a receber asfalto da Prefeitura e ainda assim de forma parcial. As últimas ruas pavimentadas foram há mais de 10 anos e os moradores e empresários aguardam, desde então, o cumprimento de promessas reiteradas dos prefeitos para asfaltar o setor. Falta de vontade, brigas políticas e picuinhas entre autoridades, incompetência e um jogo de empurra-empurra sobre atribuições entre a Prefeitura, Estado e até o governo federal, foram utilizados como desculpa para não concluir o asfalto do Santa Rita. As máquinas já chegaram e saíram, a terraplenagem chegou a ser feita, mas o chão preto nunca chegou. O resultado dessa omissão é que hoje as ruas estão esburacadas, com algumas erosões graves e os empresários que acreditaram na promessa do asfalto são prejudicados diante dos investimentos realizados. Moradores têm que conviver com a poeira na seca e o barro na chuva.
A má querência da Prefeitura com o Santa Rita é visível. O Bairro Maria Luiza Machado, que fica ao lado, foi entregue com toda infraestrutura. No setor, a Prefeitura está construindo um posto de saúde (UBS Luiz Moura), uma creche (Cmei Ariston Faria) e mais um conjunto habitacional (Messias), embora todos estejam com obras paradas. A Prefeitura revitalizou a Walter Barra e recapeou os bairros Buritis II e Vila Beatriz, vizinhos do Santa Rita, mas não fez nada no bairro esquecido. A única presença física da Prefeitura no Santa Rita, a Escola Municipal Dom Veloso, recebeu nova denominação, em homenagem ao Professor Moacir Pereira Borges, mas está fechada há cerca de 10 anos. Foi desativada para uma reforma, algumas paredes foram levantadas, mexeram no telhado, mas a obra parou. Agora, os moradores foram informados que a escola será aterrada. Dizem que vão erguer uma outra escola no local, mas ninguém acredita na promessa.
A impressão que os moradores têm é que o bairro ficou esquecido no século XIX, ainda nos tempos de Santa Rita do Paranaíba. O município não reconhece a pujança econômica, a geração de tributos, empregos e renda que o bairro proporciona e não dá nenhum tipo de retorno ao setor. Há moradores que abandonaram suas casas, outros colocaram à venda e muitos comerciantes cogitam levar suas empresas para outros setores, ou até mesmo outros municípios e estados que oferecem benefícios fiscais mais vantajosos e uma atenção maior, como em Minas Gerais, por exemplo, por não aguentarem mais o descaso da Prefeitura.

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