sábado - 24/07/2021
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Entrevista com Dr. Nicomedes Domingos Borges: Corregedoria de portas abertas

O olhar sereno, o sorriso acolhedor, a simplicidade e a disposição para o diálogo sempre franco e aberto revelam o perfil de gestor nato e a visão inovadora sobre temáticas de natureza diversas inerentes do novo corregedor-geral da Justiça do Estado de Goiás, desembargador Nicomedes Domingos Borges, que ocupa a vaga destinada ao quinto constitucional pela Ordem dos Advogados do Brasil (Seção-Goiás) desde abril de 2013. Com ampla experiência tanto na iniciativa privada quando no setor público, que vai desde a presidência da Empresa de Transporte Urbano do Estado de Goiás (Transurb) a vice-presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, a judicatura se descortinou como uma missão de vida.

Eleito com votação expressiva pelo Pleno do TJGO (36 votos), em sessão plenária extraordinária eletrônica (em razão da pandemia da Covid-19) dirigida pelo presidente Walter Carlos Lemes, com a presença dos 41 desembargadores em setembro do ano passado, para assumir a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de Goiás, Nicomedes Borges, que nunca deixou de receber qualquer pessoa em seu gabinete, da mais humilde a mais alta autoridade, mostra que veio para fazer a diferença tendo como premissa uma gestão forte, atuante, proativa e humanizada com espírito orientativo e colaborativo, bem como a valorização do trabalho em equipe.

A qualificação contínua da Justiça no âmbito do primeiro grau de jurisdição, enaltecendo atributos como celeridade, eficiência e efetividade, a implementação de inovações referentes ao cenário nacional e a continuidade de importantes projetos e programas de grande relevância social como os Encontros Regionais (realizados com grande sucesso no formato on-line durante o cenário pandêmico), o Pai Presente e o Pilares serão vigas mestras do trabalho a ser desenvolvido nesta nova, diferenciada e moderna gestão CGJGO. Na breve entrevista a seguir, o novo corregedor-geral da Justiça fala um pouco sobre todas essas questões.

Sabemos que o senhor atuou muito tempo na iniciativa privada e que possui uma visão diferenciada sobre gestão. Então, inicialmente, gostaria que o senhor fizesse uma breve retrospectiva do seu perfil, da sua trajetória (contando um pouco da sua experiência, a opção pela área jurídica), tanto no âmbito privado quanto no Tribunal de Justiça, e como o senhor aplicaria na Corregedoria essas importantes ferramentas de trabalho adquiridas com essas experiências?

Nicomedes: Trabalhei inicialmente com a iniciativa privada, em cargos estratégicos como na Transurb e na Saneago, e aprendi importantes técnicas de gestão. Mais tarde, me inseri no setor público e, com paixão, na magistratura, cargo que exerço desde 2013 quando passei a ocupar a vaga do quinto constitucional. Tenho um perfil aberto e gosto do diálogo, da colaboração, do olho no olho. Acredito que um bom gestor sabe valorizar o trabalho conjunto, suas equipes, explorando seus potenciais. A Corregedoria-Geral da Justiça realmente é um grande desafio que pretendo transpor com um trabalho de alta qualidade, eficiência, inovação, produtividade e humanização.

Alguns projetos foram desenvolvidos com grande sucesso pela gestão anterior durante a pandemia da Covid-19 como os Encontros Regionais On-Line, aproximando a sociedade do Poder Judiciário, mesmo com a imposição do isolamento social. O senhor pretende dar continuidade aos projetos já existentes na Corregedoria?

Nicomedes: Com certeza. O trabalho desenvolvido pelo desembargador Kisleu Dias Maciel Filho é notoriamente reconhecido por todas as áreas do Tribunal de Justiça e por todos os atores da Justiça. Daremos sequência e ampliaremos esses projetos de tanto sucesso em prol de toda a sociedade. Os Encontros Regionais On-line foram idealizados e executados com perfeição de maneira inovadora aproximando a Justiça da sociedade em um período complexo e delicado para o mundo inteiro com o advento do novo coronavírus. Esse debate aberto, despido de formalidades, onde todos tem liberdade para expressar suas opiniões, sugestões e críticas, ouvindo e interagindo num ambiente participativo, é inspirador, estimulante.

O Judiciário brasileiro está vivendo um processo de mudança de mentalidade e a Corregedoria também vive novos tempos, pois hoje tem um caráter muito mais orientativo, de colaboração e apoio, do que punitivo. As ações de aprimoramento e modernização dos serviços judiciais, com o uso dos recursos tecnológicos, tem norteado novos comportamentos. Portanto, a Justiça como um todo, especialmente o primeiro grau de jurisdição, se assume eminentemente mais democrática, aberta, ética, estratégica no planejamento e execução das suas atividades em prol dos jurisdicionados. Qual a sua visão nesse sentido e quais são as diretrizes para a sua gestão na Corregedoria?

Nicomedes: Vivemos novos tempos com a evolução do Judiciário, de maior abertura, de percepção mais aguçada, de uso de recursos tecnológicos visando ações de aprimoramento e modernização dos serviços judiciais, a exemplo da pandemia do novo coronavírus, cujos índices de produtividade foram elevados pelo empenho de servidores e magistrados. Essa mudança de cultura, de comportamento, de mentalidade, é um caminho sem volta. Contudo, a meu ver, é positiva e contribui para o crescimento da Justiça como um todo. Como diretrizes sempre atribuiremos como ferramentas o diálogo, a orientação e a presteza no atendimento a qualquer cidadão dando ênfase ao primeiro grau. Queremos despertar nos magistrados, servidores e jurisdicionados, tanto no âmbito judicial quanto no Extrajudicial, um sentimento de acolhida quanto à função institucional da Corregedoria, melhorando a comunicação com comunidade em geral.

O diálogo franco e a transparência também são aspectos considerados fundamentais para uma boa gestão. A Corregedoria tem buscado estabelecer relacionamento mais próximo com os atores da Justiça, objetivando conhecer com maiores detalhes o trabalho realizado por servidores, magistrados e cartorários, bem como as principais dificuldades enfrentadas no desempenho de suas atividades funcionais. Podemos afirmar que essa também será uma marca da sua administração neste órgão censor?

Nicomedes: Sem dúvida alguma essa será uma marca da minha gestão. Vamos estreitar os laços com todos aqueles que trabalham e necessitam da Justiça sempre com muito respeito, diálogo, ética e transparência, até porque somente desta forma é possível construir bases sólidas e passar pelas adversidades com equilíbrio e harmonia.

A Corregedoria possui hoje projetos de grande relevância social como o Pilares e o Pai Presente cumprindo também sua missão de agente transformador da realidade na construção de uma sociedade mais pacífica e igualitária. Qual a sua percepção acerca dessa temática?

Nicomedes: Realmente temos o Programa Pai Presente e o Projeto Pilares, ambos de grande visibilidade social, o primeiro incentivando o reconhecimento espontâneo da paternidade e realizando gratuitamente testes de DNA (temos a previsão de 1.500 exames para 2021 e outros 1.500 para 2022), o outro buscando a reflexão sobre a cultura de paz nas escolas. Temos como objetivo aumentar o alcance de cada um com o objetivo de fortalecer essa estrutura em todos os segmentos da sociedade goiana. Lutaremos sempre pelo desenvolvimento da cidadania e pela paz social, afinal o Judiciário, e a Corregedoria está inserida nesse contexto, também possui essa missão precípua.

(Texto e edição: Myrelle Motta – Diretora de Comunicação Social da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de Goiás/ Foto: Wagner Soares – Centro de Comunicação Social do TJGO)

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